A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

estes dias



São de loucura
estes dias
são tintura
nestas parelesias

Há pó
aqui dentro
Há um nó
aqui no centro

São de loucura
estes dias
são tintura
nestas parelesias

Há ruído
Até partir
Há sangue enegrecido

São de loucura
estes dias
são tintura
nestas parelesias

Há um labirinto
para me perder
é um recinto
para nunca ter

São de loucura
estes dias
são tintura
nestas parelesias
Há uma coisa
que eu nunca soube,
que não poisa
algo que não coube,
para eu não ser

Fevereiro/09

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

(alucinações) sem título



Lavar essa cara empedrada
Silenciar a saia rasgada

Abrir essa cara empedrada
e soltar todos esses pássaros
colorir aquela cara embrulhada

Essa bala de mel em riste
Essa fervura de calma anda
no espaço onde ela ficou triste.
O tempo é quem sempre manda.

Agitar essa cara empedrada
Ao subir elevadores
Ao fechar todas as portas
Ao ver alegria amassada
Ao cheirar os contentores
Ao ouvir canções mortas.

Aa…
Essa cara empedrada.

Rachar aquele cristal
Sorrir daquela maneira
Repete cem vezes igual
até saber bebedeira

a nossa cara empedrada
naquela noite que minguou
com aquela cor nunca achada
numa lua que sombrou,

essa cara empedrada.

Outubro/05

Croquete


Imaginai a solidão.
Imaginai um branco.
Três tristes tigres.

Realizai esta canção.
Realizai um caco.
Assim até que migres.

Parar para pintar o sangue.

Sinergizar pra enlouquecer de vez.

Sono e ranho na multidão flutuante.

Croquete de carne.
Rissol de camarão.

Abril/05

Constança

Fases obscuras.
Ratos e labirintos.
Facada lancinante
Com pó. Às escuras
Azedo que aperta cintos
Azeite flutuante.

Espera-te nesta esquina
A facada fulminante
Que vai ler toda a tua sina
Num abrir e fechar de olhos cortante

Linhas e agulhas
percorrem todo o céu
da cidade
É uma teia de fagulhas
Que impede o sol de se pôr ao léu
Por caridade.

Memórias de desespero
Sugam a esperança
Dos ratos de esgoto

E deixaram lá Constança
de coração roto.

A cidade jamais dormiu.
A luz nunca mais se viu.
E Constança jamais sorriu.

Agosto/04