A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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Sobre

Os presentes só se abriam de manhã. Eram assim os Natais de tradição Irlandesa com a família materna. Um frio de cor bege com alturas de paredes compridas, carpete vermelha, corrimão-escorrega de madeira e corredores esguios. O Plum pudding em chamas era o acontecimento.

No Natal com o Pai, por trás da porta de vidrinhos verdes, ansiosamente esperávamos o som descer que anunciava a chegada da meia noite. Era o sininho do Avô. A noite era de folia, e à família juntavam-se amigos e vizinhos.

Naquele ano era Natal com a Mãe. A excitação de poder ficar acordada até mais tarde naquela única noite era muita. Mas a família da mãe já estava a dormir. Só a avó poetiza estava desperta. Entrei no seu quarto e passámos a meia noite juntas. Ela deu-me um caderno de presente e disse: "é para escreveres os teus poemas".

Foi o inicio de muitos.