A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

(alucinações) sem título



Lavar essa cara empedrada
Silenciar a saia rasgada

Abrir essa cara empedrada
e soltar todos esses pássaros
colorir aquela cara embrulhada

Essa bala de mel em riste
Essa fervura de calma anda
no espaço onde ela ficou triste.
O tempo é quem sempre manda.

Agitar essa cara empedrada
Ao subir elevadores
Ao fechar todas as portas
Ao ver alegria amassada
Ao cheirar os contentores
Ao ouvir canções mortas.

Aa…
Essa cara empedrada.

Rachar aquele cristal
Sorrir daquela maneira
Repete cem vezes igual
até saber bebedeira

a nossa cara empedrada
naquela noite que minguou
com aquela cor nunca achada
numa lua que sombrou,

essa cara empedrada.

Outubro/05

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