A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Constança

Fases obscuras.
Ratos e labirintos.
Facada lancinante
Com pó. Às escuras
Azedo que aperta cintos
Azeite flutuante.

Espera-te nesta esquina
A facada fulminante
Que vai ler toda a tua sina
Num abrir e fechar de olhos cortante

Linhas e agulhas
percorrem todo o céu
da cidade
É uma teia de fagulhas
Que impede o sol de se pôr ao léu
Por caridade.

Memórias de desespero
Sugam a esperança
Dos ratos de esgoto

E deixaram lá Constança
de coração roto.

A cidade jamais dormiu.
A luz nunca mais se viu.
E Constança jamais sorriu.

Agosto/04

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