A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Desassossego

é obra de arte
este arrepio no braço
o rio que passa por mim
com gaivotas de manhã
e dilúvio da noite
Desassossego
de cinco ésses
que me rói da corda
do estômago
no sótão das ideias
envelhecidas
em casco de carvalho
 a beleza
das manhãs antecipadas
de cinza enevoada
quando não chove
mas ameaça cair-nos em cima
o peso do mundo
das flores que
nascem na varanda
que nunca vês
porque as varridas
do vento
as batidas
do tempo
fazem-te oitos infinitos
de cara sorridente
e pés bailantes
indo sempre.
indo
pois há mar
quer-se ir
mas não talvez voltar.

Livro do Desassossego


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Re-corte

Cruzo as pernas
Torço os braços
que hoje a bola
é verde limão

Afasto os pés
Cruzo as pernas
Torço os braços
que o almofariz
é verde escuro
e esmaga,
todas.
As vermelhas
infecções
as vermelhas
aspirações

Afasto os pés
Cruzo as pernas
Torço os braços
abro a janela
para o mar da noite
a lua é uma varanda
a luz é azul
e as sombras
seguramente amarelas
aguarelas de um breve
jardim de recortes

Afasto os pés
Cruzo as pernas
Torço os braços
Para a bola mudar
de cor
Para recortar papel
qual novela de cordel

Afasto os pés
Cruzo as pernas
Torço os braços
Para espremer a toalha
esquecer a canalha
e mudar de opinião;
que a espuma já não é dos dias
é das noites
e já não é rosa
é espinho,
e rasga nas ondas
galga
bocas redondas.





terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Aparição (Sofia)


E tu apareceste
Nessa tua luz brilhante
Tu te apercebeste
Do quanto eras cintilante

Diabolicamente bonita
Despertas em mim
Um coração que palpita
Para te dizer que sim.

O meu amor venceu-me
Pela sua intensidade
Constante, enlouqueceu-me
No caminho da insanidade.

Março/02