A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Choro Compulsivo

Choro Compulsivo
Mergulho na multidão
com sol no eixo
e secura no coração
que é no desleixo
da poeira das membranas
que somos peixes
sem sermão
relento
de escantilhão
tormento
em embrião

Choro compulsivo
Mergulho na multidão
Pois é nos ossos
que sorvo as dores
do povo
que sei estes versos
de novo
trá trá trá trá
trá trá trá trá 
massa das marchas
aconchegando a azia
tirando o sério
da melancolia
sugando a cor
da apatia.

Choro compulsivo
Mergulho na multidão
No meu país,
no meu coração. 



domingo, 18 de setembro de 2011

Sonho ou I have a dream

Que eras diferente
dos outros todos.
Porque me viste
eu nem percebi.
Que tu me punhas
os limites da boca
nas mãos.
Que me abraçavas
mais alto que eu,
para me guardares
para me libertares.

07/2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Renata

Se ao menos tu soubesses
a razão do teu nome.
Se ao menos já tivesses
descoberto a Amália que há em ti.
Renata. Sei Renata.
Dobras as ruas e as esquinas
porque daquela margem
a cidade já não te assusta.
Renata.
Tu não sabes, mas
a tua cara foi desenhada, e tu
és agora pintura viva. Musa da liberdade, da igualdade e da fraternidade.
Renata...
Tens um dedo que te concedeu um dom,
o de seres diferente dos demais.
Renata.
Imagino-te nos campos,
num dia de verão
com aqueles teus vestidos lindos.
Com a tua graça,
gesticulavas furiosamente e rias alto.
Um boneco animado,
corrias de cabelo despenteado
e não tinhas já preocupações.
O vento levou-as.
1, 2, 3 diga lá outra vez,
és a face mais linda do ser humano que um dia se fez.
Renata
Se ao menos tu soubesses...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vidro Azul

Quando os teus azuis
são de vidro
veludo negro
sobre os teus pés de algodão
alvor de loucura
lastro de vento
cobertor de ruídos.
Todos os dias
tantas horas
são pausas de agonia
martelos de heresia
comícios de hipocrisia
que onda te leva
que um sol te amoleça
desses dias de pedra desses gritos de fel
de uma fosca história
de cordel.
Estala os dedos: the time is now.