A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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domingo, 17 de junho de 2012

(a)Rumba

Naquela noite,
as cores eram tuas.
Tu, que de negrume
pesaste o céu.
Com passos silenciosos,
deslizantes
pancadas secas
na calçada
vidro estalando
em palmas.
A violência da beleza
de um pescoço curvado
de um cavalo montado
de um olhar cansado
de um sopro abrigado
de um perigo calado.
Tu, que de negrume
pesaste o céu
em mistério caleidoscópico
num vagar ciclópico
com visão nas alturas
Tu, que de negrume
pintaste a noite
e largaste a tua sombra
profunda
num recanto escondido
num gole encolhido.
Tu, que de negrume 
me ladeaste em certo tom
de rumba encardida
de pergunta na mordida
de viagem na saída.
Vapor em papel vegetal
Porque o sol cozeu-te
as cores
e agora já é dia.
E agora,
da varanda dos sonhos
da escada em caracol
deslizamos em fulgurante
linha curva.
Em preciosa mistura turva.







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