A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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domingo, 25 de dezembro de 2011

Hino



O poder do desconhecido instalou a dúvida na subcave, no armário mais profundo da arrecadação. Da casa.
As paredes são janelas de braços abertos ao que vier.
A dúvida é o motor da viagem, do mergulho em águas azuis, da escalada a montanhas verdes e brancas, o motor da paixão pelas coisas, pelas pessoas, pelos sítios.
Ahh... o prazer infinito de ainda não saber de que cor são as casas, a que soam as palavras, a que sabem aquelas frutas de que não sei nem pronunciar o nome?
Ahh... o prazer inconsequente de rir, de rir mais, de rir alto, de provocar risos. Talento.
Ensinar a respirar melhor, com mais perfume, com mais graça, com mais vontade, com mais consciência.
E que bom que é deitar, dormir e sonhar com mais sonhos, com mais ideias. Dormir todos os dias pelos sonhos incríveis, pelo entusiasmo gritante, pela ascese mística de altitudes Alpinas, ou São Franciscanas, jamais alcançadas.
E ao mesmo tempo, como seria bom, dar as mãos e dar. Dar esta canção dos pássaros, aos dias cinzentos, às brigas ácidas, ao mundo.
E como são tão preciosos estes anjos da guarda. Estrelas do céu, de dia e de noite. Para todos; da fé, da cura e do sol.

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