A aguarela é azul com salpicos de sol.
O mar está calmo; liso para a direita, liso para a esquerda; o remoínho está no meio, aqui à minha frente plantado.
Embaaaaaaaaaala-me, desfaz-me no som das ondas como se eu fosse açucar.
Embaaaaaaaaaala-me sobre o remoinho de cores que instauraste na minha dispensa, no meu estômago, nos meus sonhos.
Partamos a parede como se as palavras fossem pedras, e as pedras fossem fruta.
Dancemos, sobre a vermelha tijoleira, os dois ao mesmo tempo, tu prá frente, eu pra trás. Sem música, que as ondas é que marcam o passo.
Dancemos, até o sol ditar caminhos, que a lua vai alta e dita-nos transe, climax, pathos e fatum na minha língua. Talvez na tua tudo queira dizer outra coisa qualquer, que as sombras já estejam compridas, estendidas, abraçando a areia e o chão, porque o céu já se fez gente, e as estrelas já nos deram todos os conselhos durante a noite.
Durmamos. Durmamos sobre o assunto.
Sonhemos com uma jornada postal.
Sonhemos com um país de Inverno, numa estação de Outono, com um postal de Verão.
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