A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
© Todos os direitos reservados | All rights reserved

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Desassossego

é obra de arte
este arrepio no braço
o rio que passa por mim
com gaivotas de manhã
e dilúvio da noite
Desassossego
de cinco ésses
que me rói da corda
do estômago
no sótão das ideias
envelhecidas
em casco de carvalho
 a beleza
das manhãs antecipadas
de cinza enevoada
quando não chove
mas ameaça cair-nos em cima
o peso do mundo
das flores que
nascem na varanda
que nunca vês
porque as varridas
do vento
as batidas
do tempo
fazem-te oitos infinitos
de cara sorridente
e pés bailantes
indo sempre.
indo
pois há mar
quer-se ir
mas não talvez voltar.

Livro do Desassossego


Sem comentários:

Enviar um comentário