A purga das framboesas

de Rita Chianca de Carvalho
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Fio de vidro


Há vestígios de purpurina no chão
Há cantigas soltas nas paredes

Mão que entrelaçou o arroz
Que alimenta toda a sujidade
Aqui, a confiança que Deus depôs.
Há um espelho que solta vaidade.

Há uma cidade que te perde
Há um jogo que te afoga

Este frio ácido, que te encostou à parede
E te elevou ao céu azul, a núvem branca;
Esta tempestade de chuva que me deixou sem rede
Frio agudo que se entranha na minha panca.

Mas o fio de vidro continua intacto.

Janeiro/05 

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